segunda-feira, 24 de junho de 2013

"Marcha contra a corrupção" reúne 2 mil em Paraíso

Rostos pintados, faixas e cartazes nas mãos e na garganta gritos de ordem. A bandeira, as cores e o Hino Nacional surgiam como se o País já vivesse dias de Copa do Mundo. Pouco mais de 20 anos depois do movimento que levou Fernando Collor de Melo a renunciar ao cargo de presidente da República, o cenário narrado nas primeiras linhas voltou a acontecer em todo Brasil, e em São Sebastião do Paraíso não foi diferente. Na noite quinta-feira, 20, cerca de 2 mil pessoas participaram da “Marcha contra a corrupção”. 

A concentração dos manifestantes ocorreu no fim da tarde, na praça Comendador José Honório (matriz), onde o grupo se organizou. Ao som de apitos e cânticos que pediam o fim da corrupção, a “onda” seguiu pela rua Dr. Placidino Brigagão até a praça dos Imigrantes, em frente ao prédio da prefeitura. Lá, milhares de pessoas fizeram um minuto de silêncio em respeito ao ex-prefeito Waldir Marcolini, falecido na manhã daquele dia, e, logo depois, cantaram o Hino Nacional.

Entre outras reivindicações, o grupo também proferiu palavras de repúdio ao arquivamento da comissão que investigaria as dívidas de IPTU da família do prefeito. Em seguida, os manifestantes voltaram à praça da matriz, onde aconteceu a manifestação final.


A opinião de quem estava lá

O músico e produtor audiovisual Ângelo Felix, 25, afirma que o movimento despertou na população um sentimento de indignação. “Sempre aceitamos uma condição, mas agora acordamos. O gigante acordou e o mundo inteiro está vendo isso”. Ângelo também diz esperar que o brasileiro aprenda a lutar pelos seus direitos. “Somos a resistência e a resistência é tudo o que se move contra o sistema”.

A fotógrafa Eliane de Souza Pessone,  27, declara que a maioria das pessoas que participaram na marcha protestou por motivos válidos como, por exemplo, melhorias na educação, saúde, paz e fim da corrupção. A criatividade dos participantes também chamou sua atenção. “Foi super organizado e não teve vandalismo. Gostei dos cartazes criativos, com desenhos e fotos. Tinha pessoas pedindo pelos animais, o que acho parte importante de se olhar. O cidadão paraisense está de parabéns pela mobili-zação e pela força que agregamos ao movimento nacional. Só assim conseguiremos um País melhor”, comenta.

O advogado Antonio Borges Junior, 26, relata que o movimento do povo paraiense surpreendeu toda a região. Segundo ele, a grande maioria das pessoas se mostrou respeitadora e com sede de mudanças. Conforme explica, a data entrou para a história da cidade. “É emocionante poder fazer parte disso. Cantar o Hino Nacional ao lado de tantos ‘guerreiros’ não tem preço. O brasileiro, que é considerado um povo manso e pacífico, percebeu que estes adjetivos não tinham por objetivo elogiar o povo e sim impor um modo de vida, e agora vimos que é diferente, o brasileiro é receptivo, é ordeiro, é festeiro, gosta de futebol mas fica o recado: não pisem no nosso calo não”. 

Questionado sobre a possível visão dos governantes do País em relação à força do povo, Borges afirma que os políticos já passaram a enxergar os brasileiros de outra forma. “Os políticos já nos veem diferente. Uma vez que este é um movimento apartidário, nossa luta não é motivada por partidos A, B ou C, essa batalha foi travada em busca de mais saúde, mais educação, mais honestidade, ou seja, por mais respeito ao povo que foi quem os escolheu para nos representar”, conclui.

Vândalo

Em meio à passeata pacífica, um indivíduo não identificado, desferiu um soco contra a porta de vidro de um consultório odontológico enquanto a manifestação passava pela rua Dr. Placidino Brigagão. Segundo um soldado da PM,  o autor do ato teve o rosto ferido pelos estilhaços.

(Texto publicado em 22 de Junho - edição 1699 -  no Jornal do Sudoeste) FOTOS: DIEGO ROCHA