segunda-feira, 20 de maio de 2013

Gentileza: um gesto em extinção


Gentileza: s.f. Delicadeza, amabilidade, cortesia, graça, elegância, galanteria, garbo.
 É impressionante como uma palavrinha tão comum pode fazer tanta falta nos dias atuais. Antes, a gentileza podia ser vista em pequenos gestos: o namorado que abria a porta do carro para a namorada, o jovem que cedia a poltrona do trem para um idoso ou uma gestante... A tal palavrinha também estava presente em um simples “por favor” e, também, em um entusiasmado “muito obrigado”.

As pessoas não faziam ou praticavam a gentileza. Elas vivam aquilo. Ah, como era bom sair pelas ruas de manhã e sentir seu poder de alegrar o dia...
No entanto, tudo mudou. O que era “comum” se transformou em um atributo sofisticado e profundo. Tornou-se um dom e a globalização, o grande “bode expiatório” de tudo de ruim que acontece na sociedade, mais uma vez leva a culpa pela extinção da gentileza.

A rotina nos cega. Pressionados por ideias equivocadas, que nos obrigam a ter sempre mais, a cumprir prazos sem nos respeitarmos, a atingir metas que, muitas vezes, não fazem parte de nossa missão de vida e daquilo em que acreditamos, nos torna mais e mais insensíveis. E nesta insensibilidade, vamos agindo e nos relacionando com as pessoas - mesmo com aquelas que amamos - de forma menos gentil, mais apressada e mais automatizada, sem nem nos darmos conta disso.

O ritmo frenético, quase alucinado, do dia a dia fez com que aquele “bom dia”, comumente encontrado pelas ruas e avenidas da cidade, fosse substituído por uma cara tão carrancuda quanto um dia de chuva. Nos trens, metrôs, ônibus e lotações, pouco importa se o “velho” que viaja em pé tem a preferência nos assentos, afinal, o fulano também pagou passagem.
E o que falar da falta de gentileza no trânsito? Um pequeno equívoco ou um deslize já se tornam motivo para um “buzinaço” e uma salva de palavrões. Tantas e tantas pessoas morrem por causa disso todos os anos, e ninguém se dá conta que a grande culpada por isso tudo é a extinção da palavrinha.

Mais uma vez suspiro: ah, se as pessoas soubessem como é benéfico ser gentil... A gentileza abre portas, muda o rumo dos conflitos, facilita as negociações, transforma humores, melhora relações... Enfim, propicia inúmeras vantagens tanto na vida de quem é gentil quanto na vida de quem se permite receber gentilezas. Se um gênio da lâmpada aparecesse e dissesse que eu poderia resgatar uma coisa do passado, eu não pensaria duas vezes: Traria de volta a gentileza.