sexta-feira, 24 de maio de 2013

Estão matando o futebol!



Até quando o futebol será usado como pretexto para que assassinos que se proclamam torcedores acabem com a vida do próximo? Até quando um clássico entre duas grandes equipes ficará em segundo plano diante de tantas atrocidades? Até quando nós, torcedores de verdade, teremos que deixar de ir aos estádios por causa desse câncer chamado "torcida organizada"? Quantas pessoas ainda precisam morrer para que algo seja feito em nosso favor?



 A morte de mais um torcedor me levou a refletir sobre muita coisa. Kevin tinha 14 anos e, como qualquer garoto de sua idade, deveria ter muitos sonhos. Arranjar uma namorada, estudar medicina, ou até mesmo ser o camisa 10 do San Jose, clube de coração. O que esse garoto boliviano sonhava? Quais eram seus objetivos? Nós nunca saberemos! Não saberemos, porque, em uma fatídica noite de fevereiro, ele teve a cabeça traspassada por um sinalizador marítimo atirado por um membro de torcida organizada.



Ah que saudades que eu sinto do futebol do passado! Saudades do tempo em que minha única preocupação era saber se o Telê Santana escalaria o Cafu na meia-direita ou na lateral. Saudades do tempo em que o choro traduzia tristeza ou alegria por um título conquistado ou perdido. O único medo que podíamos ter era que a voz do Osmar Santos fosse interrompida pelo fim das pilhas no “Moto Rádio” do meu avô.

No passado, as torcidas, que muitas vezes ficavam lado a lado nas arquibancadas, faziam um show à parte com aqueles bandeirões imensos. Ah como aquilo era lindo de se ver! Hoje, infelizmente, a entrada de tais objetos é proibida pela polícia por causa do risco de algum "animal" rachar cabeça do outro com o mastro.


Antes, a rivalidade limitava-se às gozações e brincadeiras. Hoje, se matam movidos por um falso ideal. O espetáculo perdeu a graça e virou coisa séria. Tão séria que o colorido dos clássicos de domingo à tarde deu lugar ao vermelho do sangue e ao preto do luto. 

Amo o futebol como amo poucas coisas na vida, mas confesso que a magia que me encantou nos primeiros anos da década de 1.990 está morrendo, morrendo junto com essas pessoas.