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sexta-feira, 2 de agosto de 2013

“Com certeza fará um grande ministério”, diz pároco de Paraíso sobre o novo papa



(Não, eu não sou católico. Contudo, sou jornalista, amo minha profissão e procuro SEMPRE fazer o melhor dentro daquilo que me propus. Escrever sobre o novo papa, mesmo tendo uma visão diferente das linhas abaixo escritas por mim, foi um dos grandes desafios da minha curta carreira. Abaixo, o resultado da entrevista concedida pelo responsável pela paróquia de São Sebastião em março de 2013.) 

Vaticano, 13 de março de 2013. Os relógios marcavam 19h05 (16h05 de Brasília) quando a fumaça branca foi lançada da Capela Sistina, indicando que um novo papa, após cinco tentativas em dois dias, havia sido escolhido pelos 115 cardeais eleitores para suceder Joseph Ratzinger – o Bento XVI.
Após alguns instantes de incerteza, a multidão aclamou a saída da fumaça que no início não era de um “branco” tão nítido. Mas logo depois, os sinos da Basílica de São Pedro começaram a soar a toda força, como nos dias de festividades. Era a confirmação de que a igreja católica tinha de novo um líder, já que Bento XVI havia renunciado semanas antes.

O cardeal francês Jean-Louis Tauran apareceu no balcão da basílica e fez o anúncio oficial: "habemus papam". A multidão reunida na praça que leva o nome do Apóstolo de Cristo cantava e pulava, gritando "Viva o Papa". Minutos depois, a maior surpresa da noite: o argentino Jorge Bergoglio, 76, foi anunciado Francisco I, o novo pontífice.  

Diante do fato inédito, afinal, essa foi a primeira vez que um sul-americano foi eleito para comandar a igreja católica no mundo, o Jornal do Sudoeste entrevistou o padre Rodrigo Papi, responsável pela Paróquia de São Sebastião, em Paraíso. Assim como todo o mundo, o sacerdote demonstrou surpresa a respeito da escolha e afirmou estar esperançoso com a atuação do cardeal de Buenos Aires. Para Papi, Francisco I levará para Roma a necessidade de uma nova postura a ser adotada pela igreja. 

JS: Como o senhor viu a escolha do novo papa?
Padre Papi: Foi uma surpresa para toda a igreja. Toda a eleição papal causa uma expectativa muito grande e nós percebemos que, quando foi divulgado o nome do papa Francisco, causou mais surpresa ainda, pois se tratava de um papa fora do eixo europeu, que vem para uma realidade totalmente diferente.
 
JS: O fato de ele vir de um continente com uma realidade diferente da europeia pode mudar os rumos da igreja católica?
Padre Papi: Com certeza. O cardeal Jorge Bergoglio levará para Roma toda a experiência vivida em países subdesenvolvidos, emergentes, que têm uma realidade de pobreza muito grande. A gente percebe que isso revela uma nova vertente do papado para a igreja no mundo.

JS: Desde a renúncia de Ratzinger, muito tem se ouvido falar que a igreja católica precisa de renovação. O senhor crê que as características de Bergoglio foram determinantes para sua eleição? 
Padre Papi: Nós sentimos que essa eleição foi uma escolha de Deus, movida pelo Espírito Santo e pelo desejo da igreja de hoje abraçar uma nova postura diante da sociedade e de tantas mudanças que são necessárias. É a partir dele que a igreja será orientada para a realidade que vivemos.

JS: Francisco recusou regalias que lhe são de direito por ser papa. Ele abriu mão usar uma cruz de ouro, trocou seu anel de ouro por outro de prata, pagou a conta do hotel em que ficou hospedado durante o conclave, descartou o papamóvel com chofer e preferiu andar de ônibus com os outros cardeais. Depois, pediu para que os fiéis compatriotas fizessem caridade ao invés de viajar para Roma para a missa na qual assumirá oficialmente o papado. Isso também te impressionou?
Padre Papi: Muito. A escolha do nome dele lembra a história de São Francisco de Assis, que foi uma pessoa que abdicou de todos os bens materiais para viver a pobreza. Essa escolha revela esse lado de Bergoglio. Sabemos que Assis foi um grande reformador na igreja e, por isso também, se fala muito nessa renovação, quem vem dessas atitudes simples. Com certeza ele irá modificar a postura do papa em relação às pessoas. 

JS: O novo papa deverá vir ao Brasil em julho, para a Jornada Mundial da Juventude (JMJ). Essa será a primeira viagem oficial de Francisco. Como os católicos brasileiros se sentem diante dessa notícia?
Padre Papi: Já estamos na expectativa. Nós tivemos aqui a cruz original da jornada mundial na diocese de Guaxupé e ela estava tomada de jovens, que estão muito animados. Esse evento foi uma experiência marcante para todos os padres e jovens que estavam lá. Isso foi apenas um lampejo do que acontecerá no Rio durante a visita do papa.

JS: O senhor falou da necessidade de renovação da igreja e da juventude católica. Como o novo papa poderá atrair mais jovens para o catolicismo? 
Tenho certeza que muitos jovens serão atraídos pela presença de Jesus através do papa Francisco. Ele tem um carisma e simplicidade muito grandes e os jovens já se sentiram acolhidos. Enxergaram que se trata de um homem de Deus. Isso, com certeza, é muito importante. Quando um jovem caminha na igreja, outros mais desejarão conhecer a Jesus.

 JS: Diferente de seu antecessor alemão, Bergoglio conquistou a todos pelo seu carisma, a ponto de chegaram a compará-lo com o papa João Paulo II. É isso mesmo ou existe certo exagero?
 
Padre Papi: Lembra sim. O João Paulo II foi um grande comunicador e um homem de Deus. Sou vocacionado dele. Tenho 10 anos de padre e sou fruto desse homem, que logo será canonizado pela igreja. O papa Francisco tem sim essa característica.

JS: Aborto, homossexualismo e pedofilia são temas que a igreja condena, mas que são muito presentes na sociedade atual. Logo em seu primeiro pronunciamento, o papa Francisco falou abertamente sobre a união de pessoas do mesmo sexo. Como o senhor acredita que o argentino irá lidar com esses assuntos? 
Padre Papi: Tenho certeza que ele irá abordar com muita clareza, seguindo a mesma linha de pensamento do papa Bento XVI, que orientou os sacerdotes e toda a igreja a partir dessas realidades existentes no mundo. Não podemos ocultar essas realidades. Precisamos, sim, entendê-las e procurar uma forma de estar presente na vida deles. A igreja jamais irá excluir todos aqueles que se sentem excluídos. Tenho a certeza que tão logo a igreja virá a dar uma resposta a todos esses questionamentos e o papa trará uma clareza muito grande em seus argumentos para orientar os passos nesses assuntos tão delicados.

 JS: Sem dúvidas, a Igreja Católica Apostólica Romana vive um novo momento em sua secular história a partir da escolha de Bergoglio para o cargo de sumo pontífice. O que os fiéis esperam dele? 
Padre Papi: Esperamos que ele continue a conduzir a igreja para que a ela seja no mundo um sinal de Deus, procurando dar respostas diante de tanto sofrimento. Não tenho dúvidas que o papa Francisco será presente na vida dos pobres e vai nos estimular a fazer como ele faz. Acredito que vai conhecer as pessoas e não terá medo de se aproximar delas. Com certeza fará um grande ministério dentro do seu chamado.

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Com problemas financeiros, Paraíso Futsal pode paralisar atividades no final do ano

Tricampeão da Liga Rio Pardense, campeão dos Jogos do Interior de Minas, campeão dos Jogos de Minas, bicampeão da Taça EPTV e tricampeão da Taça TV Alterosa. Quem vê um currículo com tais glórias pode tranquilamente pensar que o detentor desses troféus levou longos anos para conquistá-los. Ledo engano. Em pouco mais de 36 meses, a equipe do Paraíso Futsal conseguiu feitos que outros clubes levam uma vida para conseguir – quando conseguem.

Tantas taças vencidas em um período tão curto poderiam garantir estabilidade e apoio a essa equipe. Contudo, a realidade vivida pelo soberano do futsal regional é muito diferente. Três anos após o seu nascimento, o Paraíso Futsal corre o sério risco de “morrer”. Problemas financeiros e a invia-bilidade da realização de um sonho podem ser as causas do fim.

“No início deste ano, perdemos alguns patrocinadores importantes que nos ajudavam pagando os salários e outras despesas de alguns atletas da equipe”, conta um dos fundadores do Paraíso Futsal e atual presidente do time, Agnaldo Grillo Paschoali, o “Tgna”. Com quase nenhum dinheiro em caixa, a direção se viu obrigada a dispensar dois (David e Andrezinho) dos três jogadores que ajudaram o time azul e branco a conquistar tantas vitórias. Formigão, o único remanescente no grupo, só ficou porque aceitou ter seu salário reduzido pela metade.

Das parceiras remanescentes, “Tgna” lembra que a maioria apóia a equipe na forma de permuta, ou seja, oferece produtos ou serviços em troca de publicidade. O pouco dinheiro que entra é utilizado para quitar custos diversos e os investidores pagam os salários de alguns jogadores e do treinador Ronei Magalhães. Nos últimos meses, o caixa do Paraíso Futsal tem fechado no vermelho. “Estamos com um déficit de R$ 1,5 mil mensais e temos, muitas vezes, que tirar dinheiro do próprio bolso para honrar nossos compromissos”, relata.

Sem dinheiro, mas com muita vontade de manter a hegemonia na modalidade, a diretoria decidiu por continuar a inscrever André e David nas competições que disputa, porém, como jogadores extras. Os atletas são chamados para compor o grupo apenas em partidas decisivas. Cada um desses jogos chega a custar, entre honorários e gastos com transporte, R$ 600.


A falta de verba, porém, tirou a dupla da decisão da Taça TV Alterosa, conquistada no dia 22 de julho. “Estamos com dificuldades. Eles estão inscritos para a disputa da EPTV, mas não sabemos se vamos conseguir trazê-los”, completa o presidente.

 Jogos Abertos Brasileiros


A crise financeira que atinge a equipe de futsal paraisense não afetou apenas a qualidade técnica da equipe, e sim a possibilidade do time subir degraus ainda mais altos. Campeão dos Jogos de Minas Gerais em 2012 após derrotar a tradicional equipe do Minas Tênis Clube, o Paraíso Futsal se classificou para os Jogos Abertos Brasileiros (JABS) deste ano, disputado em Criciúma - SC.

Sem a ajuda do governo mineiro (que sempre custeou as viagens e estada das equipes representantes do estado), os diretores precisaram correr atrás de patrocinadores para levantar a quantia de R$ 20 mil. A prefeitura de Paraíso e algumas empresas se comprometeram a ajudar, mas ainda faltavam R$ 10 mil, que não foram conseguidos. Assim, a direção teve que desistir da competição nacional. “Foi muito frustrante para todos que conseguiram a vaga dentro de quadra. Se fosse o Minas o campeão, tenho certeza que o estado ajudaria”, lamenta “Tgna”.

 O início 


O Paraíso Futsal nasceu em 2010, em uma época em que a modalidade estava praticamente desativada no município. Os tempos áureos vividos na segunda metade da década de 1.990 haviam ficado para trás junto com as conquistas das taças EPTV (1996) e Alterosa (1997). Apenas as equipes de base mantidas pela prefeitura sobreviviam.

“A gente cobrava isso da administração passada, porque nós, amantes do futsal, queríamos ver a cidade disputando as competições que a gente costumava disputar no passado. Foi quando o então secretário Mariano Bícego chamou o Wilson (Donizete de Oliveira, atual vice-presidente da equipe), o Wander Pimenta (goleiro) e eu, e propôs a criação de uma associação sem fins lucrativos para tocar o futsal. A Secretaria de Esporte ofereceria a infraestru-tura da arena mais os custos de viagem e alimentação durante os jogos. Nós aceitamos a proposta e corremos atrás de parceiros”, recorda.

Firmado o novo desafio, os fundadores procuraram o empresário Osvaldo Tosin, atual secretário municipal de Esporte que, durante a década de 90, era diretor do Ouro Verde Tênis Clube, que ajudava a equipe da cidade. “De pronto ele aceitou o desafio e, até hoje, quem paga os salários do Ronei é a sua empresa”, conta “Tgna”.

 Com a ajuda da ACISSP e de mais algumas empresas da cidade, o Paraíso Futsal conseguiu qualificar seu time e começou a ver os resultados logo em seus primeiros meses de criação. Ainda em 2010, a equipe comandada por Magalhães chegou à final da EPTV, disputada na recém-inaugurada Arena “João Mambrini”. O empate em 3 a 3 deu o título para Alfenas, mas o resultado, no entanto, levou o “azul e branco” a buscar a perfeição.

“Desde então, a equipe veio se estruturando e, a partir de 2011, trouxemos o Formigão, que marcou os três gols de Alfenas naquela final que perdemos em casa. Ainda vieram o David e o André”. Mais forte, Paraíso conseguiu naquele ano disputar a primeira divisão do campeonato paulista e equipes do naipe de São Paulo FC, Corinthians e Santos chegaram a jogar na arena. “Perdemos, mas demos muito trabalho a eles”, recorda o dirigente.

 O sonho... 


“O Paraíso Futsal nasceu para ser grande”. A afirmação de “Tgna” não diz respeito apenas ao nível regional. Isso a equipe já conquistou. O presidente fala em voos mais altos e almeja integrar a Liga Nacional, que reúne as 20 principais equipes do Brasil. Poucos sabem, mas o time da cidade poderia ter disputado o certame nacional em 2012, entretanto, mais uma vez, a falta de patrocinadores, impossibilitou a realização do sonho de atletas, comissão técnica, diretoria e torcida. “Para isso, teríamos que conseguir, pelo menos, dois grandes parceiros que pudessem alavancar esse desejo. Precisaríamos de R$ 40 mil mensais para contratar atletas, mais o apoio da prefeitura com alimentação e transporte. Tivemos a oportunidade no ano passado, pois fomos convidados depois da desistência de uma equipe, porém, faltaram esses parceiros”.

O presidente conta que o sonho da Liga só existe por causa da Arena “João Mambrini”, um dos melhores ginásios esportivos do País. Ele cita uma conversa que teve com o jogador Falcão durante uma das estadas do Intelli/Orlândia na cidade. “O Falcão, maior atleta da modalidade no mundo, rasgou elogios à arena e disse que gostaria de jogar em uma equipe com um ginásio igual ao nosso”, lembra.

Para testificar que seu sonho não é impossível, “Tgna” menciona outra conversa que teve com pessoas ligadas ao atual campeão da Liga Futsal. “O Orlândia chegou até o título da Liga porque um parceiro acreditou. O treinador Cidão nos contou que, há 15 anos, o sonho deles era ganhar a EPTV, como nós. A semente tem que ser plantada agora para que alguém possa colher lá na frente”.

 ... e a realidade


Longe daquilo que idealiza, a associação tenta manter o nível da equipe, pelo menos, até o final deste ano. Conforme explica o dirigente, caso o Paraíso Futsal não consiga mais parceiros para seguir lutando por uma vaga na Liga, suas atividades podem ser “paralisadas” por tempo indeterminado. As competições que hoje são disputadas pelo time seriam jogadas pelas equipes de base mantidas pelo município. “Hoje a nossa realidade é tentar apoio para nos manter como estamos, só que isso é muito pouco diante de tudo o que conquistamos e da infraestrutura que temos para o esporte. Se for para disputar o que estamos disputando, não precisamos sofrer tanto.  Podemos usar as equipes de base, que são muito boas. Nós continuaríamos correndo atrás dos parceiros e só voltaríamos depois, para a disputa de uma Liga”, avisa.

 Frustração 


Indagado sobre a possibilidade de paralisação, o presidente do Paraíso Futsal afirma estar frustrado. Para ele, a maioria dos empresários que atuam na cidade não reconhece a importância do trabalho realizado nos últimos três anos. Muitos, segundo ele, preferem patrocinar equipes de outras localidades a apoiar o projeto paraisense. “Tgna” ainda rechaça qualquer ideia da prefeitura investir na equipe. “Não acho correto usar o dinheiro público para custear uma equipe profissional. Ele deve ser gasto com o que já está sendo feito. Faltam parceiros mesmo”, diz.


Sem perder as esperanças, o presidente faz um apelo aos grandes empresários da cidade. “Eles poderiam nos apoiar e descontar de seu Imposto de Renda. Podem encontrar meios, já que hoje tem o ICMS esportivo”. Enquanto novos horizontes não surgem, o Paraíso Futsal segue firme na briga pelo tricampeonato consecutivo da Taça EPTV. Além disso, apostará suas últimas fichas no campeonato mineiro, a ser realizado nos próximos meses.

Equipe conquista o tricampeonato consecutivo da Taça TV Alterosa - Foto: Assessoria Paraíso Futsal