segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Furtos trazem medo e insegurança à população de Paraíso

Matéria publicada no Jornal do Sudoeste em 17 de agosto sobre o aumento da criminalidade em São Sebastião do Paraíso. Furtos a residências, praticados, na maioria das vezes, por menores de idade, têm assustado a população.

A sensação de segurança do cidadão paraisense já não é a mesma de outros tempos “graças” à criminalidade que ronda o município. Como em progressão geométrica,  o número de furtos a residências e de veículos tem crescido de forma preocupante no município. A situação é tão grave que, em alguns pontos da cidade, acontecem em plena luz do dia.

Exemplos podem ser vistos nos bairros Bela Vista e Jardim Europa, onde, nas últimas semanas, casas foram invadidas e veículos foram levados por bandidos em horários pouco prováveis: durante a manhã e a tarde. Um leitor conta que ladrões entraram em sua residência na sexta-feira, 09, entre as 9h30 e 13h, enquanto ele e a esposa trabalhavam. Eletroeletrônicos e outros objetos foram furtados.

Com medo, um morador do Bela Vista entrou em contato com o Jornal do Sudoeste para relatar o que ele e seus vizinhos tem passado. “Nós não aguentamos mais tanta insegurança. São várias casas e carros que foram furtados, inclusive durante o dia. Fora o tráfico e o uso de drogas, que corre à solta todos os dias. Ao escurecer,os moradores têm medo de sair de casa e ir até a padaria”, conta.

Ainda segundo a fonte, os ladrões são menores residentes no bairro. “A polícia sabe disso, mas não obtemos nenhuma resposta. Enquanto isso, eles continuam nas ruas amedrontando pessoas de bem, que pagam seus impostos e esperam do estado proteção. (...) Será que a polícia só vai dar bola quando algum morador, cansado da criminalidade no bairro, resolver fazer justiça com as próprias mãos”, desabafa.

Diante dos fatos, a reportagem do “JS” entrou em contato com as polícias Civil e Militar em Paraíso. As instituições afirmam que estão trabalhando para reverter a situação e dão suas explicações.

 Polícia Civil

 Um dos responsáveis pela Delegacia de Furtos e Roubos em Paraíso, o delegado Marcos Fernando Moreno afirma que a Polícia Civil percebeu o aumentos de furtos na cidade, principalmente a residências. Conforme explica, a maioria desses são efetuados por menores de idade.

O problema, segundo Moreno, são leis que protegem os criminosos que ainda não completaram  18 anos de idade. “O menor não vai preso, e sim apreendido e a última medida é a internação, que geralmente é feita pelo juiz quando há violência e grave ameaça à pessoa. Então, atos infracionais análogos aos crimes de furto geralmente não levam o menor à internação. A dificuldade que nós temos é a própria lei brasileira”, explica.

O delegado também critica a funcionalidade do ECA (Estatuto  da Criança e do Adolescente) e a falta de instituições apropriadas para a internação dos infratores. “A polícia vai e apreende. A justiça vai e solta. É como enxugar gelo. O Estatudo da Criança e do Adolescente é muito bonito, mas a dificuldade é colocá-lo em prática na parte estrutural. Não existem locais adequados para recolher esses infratores. Menores são internados basicamente em cadeias. Não existe um centro apropriado como a lei determina”, ressalta.

Conforme explica Moreno, não existe crime organizado em Paraíso, apenas “pontuais”, movidos, principalmente pelo uso de drogas e dívidas com o tráfico. Ele ainda acusa aqueles que compram objetos furtados como um dos responsáveis pelo aumento da crimin-alidade. “A nossa dificuldade também é quanto ao receptador, porque o furto vive paralelo à receptação. Tem muitos cidadãos que ficam indignados com a criminalidade, mas eles mesmos vão e compram um relógio, um óculos importado ou uma tevê furtada. É aí que a máquina gira. Com esse dinheiro que o menor recebeu, ele vai comprar droga. Acabou a droga, ele vai e furta de novo. É um círculo”, aponta.

 “Fenômenos”

 Por fim, o delegado Marcos Moreno explica que existem determinados “fenômenos” que contribuíram para que esses números negativos saltassem na cidade. Os principais seriam problemas econômicos, a saída de presidiários para a celebração do Dia dos Pais e, principalmente, pelo desmantela-mentos de quadrilhas envolvidas com o tráfico. “Entendemos as reclamações e sabemos do aumento. Quando há operações contra o tráfico, aumentam o número de roubos. Quando você quebra a boca de fumo, o traficante tem prejuízo. Ele precisa pagar os fornecedores, então passa a roubar para pagar a conta”, conclui.


PM apresenta estatístisca
 A pedido do “JS”, a Polícia Militar realizou análise de dados estatísticos referentes ao mês de julho deste ano em comparação com o mesmo período de 2012. De acordo com a instituição, houve um decréscimo de furtos de veículos registrados. No ano pasado, foram registrado cinco, contra três em 2013. Conforme a PM, o número de invasões às residências também apresentou queda no índice, contudo, não foram apresentados números comprobatórios.

Em nota, o comandante do policiamento em Paraíso, 2º tenente Rogério Alves da Nóbrega, afirma que “tal redução foi conseguida graças ao envolvimento dos órgãos de Segurança Pública e Justiça Criminal (Polícia Militar, Polícia Civil, Ministério Público e Poder Judiciário), através da adoção de ações e operações no sentido de conter os crimes contra o patrimônio no município”. A ação, de acordo com a polícia, trouxe reflexos positivos no mês de agosto, quando foi percebida a diminuição dos delitos já na primeira quinzena, com tendência decrescente.

O tenente afirma, contudo, que há “um ligeiro aumento nos furtos diversos, nestes incluídos celulares, bolsas e carteiras”. A maioria desses objetos são subtraídos no interior de automóveis estacionados em vias públicas. A polícia ressalta que ainda há crescimento nos furtos de hidrômetros em construções e terrenos, contudo, os atos “são combatidos através de lançamento de viaturas no patrulhamento em loteamentos e locais mais afastados, diuturnamente”.

Na maioria dos casos, a PM verifica certa “distração” por parte dos proprietários na guarda dos veículos e objetos. “Por exemplo, constata-se, através da análise dos boletins de ocorrência que os veículos furtados estão, na maioria das vezes, estacionados na rua, em locais com pouca movimentação de pessoas. Tais veículos não possuem alarme, principalmente motocicletas ou, quando possuem, o sistema está inoperante ou deficiente”.

Na tentativa de coibir a ação dos jovens infratores, a Polícia Militar afirma está prestes a divulgar uma campanha junto à comunidade paraisense a respeito de medidas simples, porém eficientes de autoproteção, a fim de evitar os crimes contra o patrimônio e auxiliar no trabalho preventivo do policiamento. 

O 2º tenente Nóbrega ainda comunica que tem realizado monitoramento, acompanhamento e controle científico do fenômeno da criminalidade em Paraíso, através da análise de dados atualizados diariamente e adoção de medidas preventivas e repressivas, que visam atingir o estágio de paz social e clima de tranquilidade pública.

Tranquilidade típica das cidades interioranas é ameaçada por bandidos - Foto: Reprodução